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Indígenas venezuelanos da etnia Warao se formam em cursos do Senac com a Fraternidade Internacional

formatura waraoFoi a primeira vez que o Senac teve turmas somente de indígenas refugiados. Eles aprenderam “Básico de Corte Masculino” e “Técnicas Básicas de Panificação”.

Pela primeira vez o Senac Roraima formou turmas somente de indígenas venezuelanos da etnia Warao: “Básico de Corte Masculino” e “Técnicas Básicas de Panificação”, com 15 alunos em cada turma, aconteceram em parceria com a ONG Fraternidade Humanitária Internacional. Elas foram concluídas com uma cerimônia no dia 10 de dezembro, no auditório do Senac São Francisco.  

A instrutora de “Básico de Corte Masculino”, Welleyceane Monteiro, já havia ministrado cursos dessa área nas unidades do Asa Branca e Rorainópolis. Mas foi a primeira vez que teve uma turma somente de indígenas, e refugiados da Venezuela. Ficou feliz por encontrar alunos tão experientes e dedicados: eles sempre pediam dicas para escolher os melhores materiais, gostavam de tocar nas máquinas ao invés de apenas olha-las, e a maioria tinha interesse em seguir carreira.

Havia uma única mulher, essa sim novata no ramo, mas que também aprendeu rápido. “No começo, parecia que a máquina ia morder ela, de tanto medo que ela tinha! Mas depois ela já ia atrás de clientes, queria cortar o cabelo de todos”.

Nas aulas, Welleyceane falou tanto sobre as técnicas de corte, como a biossegurança no uso das lâminas e luvas, ética de trabalho, vestimenta e como se comportar no mercado.

Um de seus alunos, Simon Quinones (27), só precisava do certificado para exercer sua profissão no Brasil com confiança: ele começou a cortar cabelo aos 15 anos, com uma tesoura; e aos 18 sua mãe lhe deu sua primeira máquina. O que era apenas um hobby foi seu sustento dentro da sua comunidade no Estado do Delta Amacuro. Mas ele precisou se desfazer de parte de seu equipamento ao vir para o Brasil, há 3 anos.

Agora que se formou, e conseguiu comprar seus materiais com o trabalho de barbeiro e cabeleireiro que exercia dentro do abrigo do Pintolândia, vai poder se mudar com a esposa e as filhas para Manaus-AM. Lá ele vai atuar na barbearia que seus tios, primo e irmão montaram na cidade. “Agora vou poder trabalhar fora”, sorriu.

Jesus Rafael, que subiu no palco para falar em nome da sua turma de “Panificação”, se surpreendeu com a qualidade do curso. “Quando a instrutora (Ruth Silva) falou sobre matemática, nos perguntamos o motivo. Logo vimos que era importante conhecer medidas para que as tortas ficassem boas. Aprendemos palavras em português também. Agradeço às pessoas que apoiaram essa ideia de nos brindar com um certificado que vale em qualquer parte do Brasil e vai nos abrir portas”, disse.

Foi por isso que na cerimônia, Jemima Bessa, coordenadora de Meios de Vida da Fraternidade, falou que todos da ONG estavam muito contentes ao verem que os alunos de fato aprenderam, agradecendo ao Senac por essas capacitações. “Que isso seja só o início de uma nova jornada. Sigam tentando, aprendendo, caminhando”.

João Lago, coordenador dos cursos FIC do Senac Roraima, também ficou feliz “de saber que cada um que está aqui busca algo novo para sua vida em um país que tem o prazer enorme de recebe-los. O Senac está de portas abertas para vocês. Que esse certificado de hoje possibilite que vocês alcem grandes voos rumo aos sonhos que tanto almejam”, desejou.

Nayra Wladimila
Comunicação Senac RR

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